
Então montamos uma peça de teatro com Texto e direção minha chamada Mary Poppins. A peça fez uma temporada em Goiânia no ano passado e recentemente começamos uma turnê com ela. Fomos pro Nordeste. Três cidades: Recife, Aracajú e Maceió. Foi bacana. Claro que sair em turnê é sempre bom. Mas o assunto que vou abordar é a convivência das pessoas nesse tempo em que estivemos no Nordeste. Foram dez dias. Dez dias em que passamos grande parte do dia juntos. Éramos onze atores e a equipe técnica, mais diretores e produtores além da mãe de um dos atores e o marido e o filho de uma das atrizes. E foi quase que a experiência de um Big Brother.
Estar com as pessoas por mais tempo do que estamos acostumados na nossa convivência social é uma experiência impressionante! Papéis se invertem, comportamentos mudam, sentimentos afloram, realidades se expõem e diversos sentimentos muitas vezes ignorados passam a ter um peso esmagador no dia a dia.
Fiquei refletindo sobre isso. Quando tiramos as referências de alguém, sua casa, sua rotina, sua família, seus lugares conhecidos... Acabamos despertando nas pessoas comportamentos e um “não-lugar” surpreendente. E essa nova comunidade que se forma acaba agindo de forma à agregar em si um novo núcleo social: algo muito próximo do que seria uma família. Com todos os seus meandros: Amores, irritações, contradições, medos, picuinhas, carinhos, cuidados, atenções e diversões.
Vivenciando tudo isso e sentindo todas essas coisas, voltei a uma palavra tão usada por nós queridos e que me ajudou a definir esse novo núcleo: Ohana! Sim. De novo e de novo a palavra. A palavra citada no filme vocês-sabem-qual pela personagem vocês-sabem-quem.
E porque falar disso? Porque tem pequenos gestos que não posso ignorar. Quando escrevi o post Ohana algum tempo atrás, eu falava de um ponto de vista e de lá pra cá ele se mostrou mais forte, mais lógico, mais coeso! Sim... É verdade: Os amigos são a família que nos permitiram escolher. Sim! Existe amor além do sexo e além dos interesses mundanos. Existe a verdade olho-à-olho e existe o encontro de almas afins. Eu sou uma alma irmã de todos vocês.
Às vezes até mais do que uma alma irmã: Sou uma alma pai, filho, tio, bichinho de estimação, objeto consolador...
Este post só tem sentido pra algumas pessoas e sei que somente elas vão ler mesmo e por isso não tenho medo de dizer: Obrigado.
Obrigado porque, se eu ACHAVA que esse amor era possível, vocês me provaram que ele existe impressionantemente forte e verdadeiro . Em pequenos gestos, em pequenas demonstrações, em seus posts, nas fotos impressas, nas guardadas nos PCs, nos bilhetinhos colocados em meu computador, nos abraços carinhosos, nos olhares emocionados, nas referências à minha presença na vida de vocês (Um e-mail que me fez sentir o mais importante e feliz dos pais ou num livrinho que me faz acreditar que sou realmente um exemplo), um convite para um filme, um convite para ir em suas casas, fazer parte de suas vidas, em um abraço pulado e um sorriso forte e verdadeiro (“Você achou sua carteira?”).
Ah meus amores. É isso que vocês são: Meus amores! Incondicionais e verdadeiros. Ver vocês sorrir não tem preço. Eu os amo. Minha Ohana linda! Estou vendo vocês crescerem. Estou crescendo com vocês e me orgulhando de cada segundo. Um dia, teremos que voar, seguir...Descobrir novos caminhos. E sabe onde estaremos? Onde sempre estivemos: Dentro um dos outros. O amor é um tesouro que nos segue onde quer que vamos. Onde quer que estejamos. O amor nos segue e o amor nos guia.
Amo. Amo. Amo.
“Vocês-sabem-quem: Você quer ir? Pode ir... Tantas pessoas já vieram e já foram. Eu vou ficar aqui... Um dia você volta. Se quiser... Se não quiser... Vou continuar aqui, te esperando...Você é Ohana, e isso quer dizer família. E família quer dizer nunca abandonar. Ou esquecer...”
NUNCA!